Será que combinaram?!

Escrevi sobre a partida da minha família e em seguida tudo aconteceu!

Covid-19 chegou ao mundo, abalou estruturas, afastou pessoas, gerou medo…

E eu, que estava voltando a me adaptar a solitude de novo, me vi obrigada a permanecer em casa com minhas monstrinhas. E vou te dizer, homeschooling é coisa de louco!

Durante este quase dois meses de quarentena aqui, houveram dias quentes, vendavais, chuva e até rolou uma nevezinha de um minuto, teve choro, desespero, solidão (aquela que a gente sente mesmo quando a casa tá cheia, sabe?), teve entendimento e teve esperança! Por mais bizarro que possa parecer e, de forma alguma quero romantizar esta pandemia, me veio à esperança no amor, na uniao dos meus, na prova física ( marcada pela distância, maluco né?!) do quanto a gente se importa com o outro.

Criamos novas tradições aqui em casa! Agora a oração noturna, tão comum desde as primeiras palavras das monstrinhas, incluem o “outro”, ensinamos a elas o agradecimento por tudo que temos e elas conseguiram entender isso! Orgulho me define! Elas entenderam a importância da saúde, delas e do “outro”, a sutileza de ser feliz quando tudo te coloca pra baixo, o agradecimento pela vida, essencialmente.

Tivemos churrasco e guerra de agua no quintal, cabana de cobertas e todos dormindo na sala, tivemos seriado em família, brincamos de “stop” por horas, costuramos, nos exercitamos (viva os apps free de exercícios) e nos amamos, a cada dia mais!

Se o universo assim permitir, em dezembro estaremos no Brasil, visitando nossa família, resignificando o “ano novo”, nos amando cada vez mais!

Será um réveillon em família completo, como nunca passamos! E é nessa esperança que tenho me apegado nos dias difíceis, nela e no amor renascido!

Fique em casa (se puder), fique em segurança, logo tudo isso passa! ✌🏼

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A arte de acostumar-se.

Tive minha família comigo neste dezembro.

Com seis meses vivendo na terra da rainha, só percebi o quão acostumada já estava, quando recebi aqui minha mãe, pai e irmão.

Foram seis meses de adaptação, para aprender a viver sem a presença diária de minha família na porta ao lado. Por 34 anos os tive ali, a maior distância que tivemos entre nós foi de 20 minutos de caminhada, quando me casei, após três anos vivendo a essa distância, nos mudamos para o mesmo condomínio e o que nós separava era uma porta!

Me mudei em junho para cá, outra casa, outro país, um oceano de distância! Eles vieram! Leio muitos relatos de pessoas que vivem fora do país, ou até mesmo no mesmo país, porém em outros estados e ficam anos sem ver sua família, dimensiono a tristeza que deve ser isso, com base nos seis meses que vivi longe deles.

Uma parte conseguiu vir, uma outra vem em julho e a minha gratitude pela família que tenho só é superada pela saudade que sinto.

Minha casa está vazia de novo, silenciosa, fria, porque até o solzinho do inverno decidiu partir com eles ontem.

Hoje, entro mais uma vez na batalha, para superar a saudade e acostumar-me com a solidão.

O retorno dessa mudança tem sido meu combustível para superar isso! A evolução das meninas, a nova vida…

Bora recolher os cacos emocionais e se fortificar, em seis meses a outra parte dos meus amores chegam aqui!

E assim vamos, acostumando e adaptando-nos.

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Bro of Sky*

O inglês é uma língua engraçada… no Brasil, crescemos cercados por ele, sem perceber! É o “play” pra rolar o filme, é o “snack” entre as refeições, é o “brother” usado entre os amigos, é o “roots”, é o “coach”, é o “busy”…

“Money que é good nois não have!”

Sempre tive contato com o inglês, irmão mais velho sempre curioso, desde criança estudando por conta, se tornou fluente sem que percebesse, e eu fui me espelhando, aprendendo. A questão é que curso de inglês acessível no Brasil é máquina de tirar dinheiro de pobre, infelizmente! Dez anos estudando e ainda é verbo To Be.

Fui estudando, fiz cursos, algumas aulas particulares (leia-se 8 aulas) com um nativo, assistia filme legendado e conseguia acompanhar o enredo mesmo não lendo a legenda toda hora, lia uns textos, conversava com parentes e professores, mas o ápice foi eliminar 3 níveis do inglês da faculdade num semestre só! Pronto! Tava pronta pra arriscar a vida fora do Brasil! Ha ha ha!

Não tenho ideia se em outro lugar do mundo tem tanto imigrante quanto aqui (vou falar sobre isso qualquer hora), mas cara, aqui é gente demais! Paquistanês, alemão, indiano, espanhol, tudo falando aquele inglês que você não estudou, entende? Sotaques diferentes, velocidades de fala diferentes! Diferença…

Me vi cercada pelo inglês e percebi o quão eu estava despreparada! O quanto eu não sabia nada! App de inglês ajuda! Duolingo, Google Tradutor, mas na hora da conversa, da reunião de pais, da consulta médica, não da tempo de traduzir tudo não, de lembrar como se responde.

O que fazer?!

Estudar! Correr atrás e aproveitar! Porque velho, na boa, se daqui a um tempo eu entender tudo que todo esse povo fala, o resto de surpresa que a vida me mandar, é fichinha!

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Mas, por que Londres?

Esta é a pergunta que mais temos que responder desde que chegamos aqui! Não imaginei que seria tão questionada sobre isso, claro, nos momentos em que me despedia no Brasil, talvez algumas vezes, mas aqui, todos os lugares em que vamos e acabamos conversando com alguém, surge este questionamento, então vamos lá, por quê?

Na verdade, a escolha surgiu de forma fácil, com pesquisas no Google 😉 . Quando surgiu a ideia de morar fora, todas minhas pesquisas foram sobre : segurança para crianças, educação para crianças, saúde para crianças, lugares do mundo com as crianças mais felizes… Kkkkkkk, sim, foi isso! Nos resultados surgiam Holanda (❤️), Nova Zelândia, alguns outros cantos na Europa, e Londres! Pensamos em Dublin, pensamos em Amsterdam, mas o idioma complicava um pouco, pensamos na Nova Zelândia, mas o mercado de trabalho preocupava, Dublin, talvez? E assim ficamos um tempo entre Dublin e Londres, até por conta da confusão do Brexit, porém acabou que Londres falou mais alto! A multiculturalidade, a liberdade religiosa, o pouco se importar com o “ter” e sim com o “ser”, e, óbvio, a facilidade da língua já (supostamente) falada por nós (a questão do idioma merece outro post)!

Mas como explicar tudo isso pro povo daqui? “Ah, viemos para cá porque tem mais segurança e melhores escolas para nossas filhas”. Eles: “Mais segurança? Educação? Sério? Mas o Brasil tem o clima ótimo! Lindo pais…”

Nesses questionamentos, nossa decisão se afirma! A surpresa deles se deve ao fato de que, para eles, educação e segurança é tão básico, tão primordial que não deveria ser motivo de escolha para sair do próprio país. E dentro desse pensamento e também do caminhar das coisas no meu país tão amado, não poderíamos ter mais convicção, de que tomamos a decisão correta!

Se está sendo fácil? Nadinha!

Se eu acho que vai valer a pena? Mano do céu, já vale!

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As camisetas vão clareando…

Todos os dias eu penso em escrever sobre minha vida em Londres, como foi para virmos, os processos, as diferenças entre o Brasil e aqui e, no meio disso, penso: As camisetas estão clareando! Uso esse termo porque quando chegamos aqui, logo conseguimos matricular as monstrinhas na escola, com uma semana em Londres elas começariam as aulas! Compramos uniformes (somente isso, já que material escolar não precisa 🙌🏼) e pronto! Primeiro dia de aula passado, fui eu bancar a Amélia e lavar à mão as camisetas, ainda não sabia usar a máquina de lavar daqui (e não estava muito na boa vontade de aprender) e não queria que as camisetas encardissem. Ok! Lavei e coloquei só pra centrifugar na máquina! Porém, sabe Deus o que aconteceu lá dentro, mas as danadas saíram amarelas! Um amarelo BEM encardido! “Um cacete de agulha”! Continuei lavando, lavando, até que ficasse em um tom aceitável de uso, mas ainda amareladas e assim elas foram usando, até que hoje, já em férias escolares e quase voltando às aulas, olho as camisetas e vejo que “elas foram clareando”, assim como meu humor aqui!

O humor até clareia, mas a saudade… ah a saudade, essa palavrinha brasileira que da nome a um sentimento que nunca tive tão forte em mim! Saudades da mãe, pai, irmãos, cunhada, sobrinhas, essas ainda são as únicas que ainda não controlo o choro quando ouço a voz…

Hoje acordei com saudades! Todos os dias acordo com saudades, claro, mas hoje foi forte! Saudades da família, da minha casa, do ventinho que entra pela minha varanda…

Mas imagino que isso também vá “clarear”, deixando ali, um colarinho de beirada amarelada, me fazendo lembrar de tudo, porém, talvez, sem doer tanto como ainda dói.

Por que olha, “Mano do céu “, ela dói.

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